a vida é shuffle
aleatória
e sem história
anti-presença
de cadência
e harmonia
um rit
um samba
sample, sampa
maracatu
atômico
ou atônito
rock
clássico
pop popup
ídolo de barro
anarquia
culta
não há
aleatoriamente:
olhos de moraliza
orelha de
Van Gogh
pés de Tarsila
shuffle de vida
sem porque
porque o programa
é esse.
cinco mil obras
shuffle
e nenhum sentido.
a não ser
é claro
o próprio sentido
do shuffle
que é optar
sem ser optativo
e ser alguém
mesmo sem ser ativo
salada de obra
arte na veia
veia de obra
de arte
arte da repetição
arte contra-mão da arte
arte shuffle.
viva [com alto teor de deboche]
o mundo shuffilizado!
<==>Shuffle<==>
Violentar a Rima
Me foge o tempo
Me escapa, sem pudor, as idéias
O raciocínio camuflado
Emerge na rotina castigada
Do caçador de poesias
Vasculhando cada gaveta de memória
Cada vestígio que me leve à pistas
E acabo de descobrir o nocivo tema
Acuso em versos à escassez dos versos
E grito o verbo que me torna o avesso
Devasso, confesso
Julgado e condenado por violentar a rima.
Mais um das antigas. Lá pelo ano de 2006.
Muito obrigado pela sua visita.
Vai Vai
eu me sinto um pianista
escrevendo poesia
num teclado macio
e de fato
faço música
no verbo
vai
vai
vai-vai
A Vida A Vida A Vida
a vida pequena no dia a dia
curta nas vinte e quatro horas e meia
meio mole é a vida na esquina sem luz
a vida curtinha do jardim da infância
e a infâmia da vida sem lei, o meu rei
na madrugada da vida na via sem encosto
o acostamento do desgosto a vida tem
e no posto da esperança fiz acampamento
a vida era cimento lá dentro de mim
no fundo do mundo a vida escorrendo
do prato sem fundo ou do mudo que abala
a vida se cala na fala do coro e desencoraja
Uma Parte
Uma parte que me deixa à parte
Ninguém curte
Unicamente surto
Pelo vão, pela via
Pedaço, de extrema ungia
Nem costas, nem seio
Sem nomes, batizo
Nem seio, nem costas
Sem afetos, consigo-os
Nem meio, nem lastro
Tão quanto embaixo
Nem lastro, nem ponta
Nem meio
Toda corja de cortejos
Sejam cortados.
Mas me deixa torto e tonto
Essa parte inominável
Que delega o denso nível
Do pedaço admirável
Centímetros quadrados
Em desejos redondos
Um milésimo, irrecusável
Nem nada, nem tudo
Tudo...
...nada é meu tudo de nada
Nada posso...
Além de sonhar:
Sonho...
Nem costas, nem seio
Tão quanto me caço
Nem seio, nem costas
Sensível abraço
Só o que posso
E assim mereço
Tocar-te...
Te tocar mais calmo
Te falar com medo
Que entre costa e seio
Nada mais é tudo
Apenas um receio
De tocar-lhe o meio
Entre o céu e o mar
Num pedaço inalcançável
Feito o horizonte.
Texto antigo. De Julho do ano passado. Mas afinal, recordar...
Obrigado pela visita. Volte sempre.