o que vai restar do amor
quando chegar ao fim
a beleza que existe no amar?
e a beleza que há
em compartilhar belezas
que não se fundamentam no tempo
quiçá na memória saudosa
do caminhar e do namorar e acarinhar
quando tudo for fim
o amor se sustentará pelo medo
da solidão?
talvez sim
mas e se for pouco?
a perfeição dos corpos
é a tolice de uma modernidade
retrógrada e infeliz
onde está a saúde
de nossos sentimentos?
cadê a definição perfeita
para o que sentimos
e a força que emana da fé
em viver de amor?
esquecemos
de malhar os olhos
para apurar os sentidos
e continuamos feito cegos
enxergando o básico
discernindo o feio do bonito
pela ótica da burrice
o que faremos
quando perdermos
a capacidade de amar
em silêncio e no escuro?
quando o corpo
não mais for suporte
à qualquer fantasia
ainda há de restar
ao menos
poesia?
]...[

]...[
porque os versos
possuem fins discretos
são como meros fetos
que crescem e se desenvolvem
alimentados pelo amor umbilical
nem idade nem tamanho
o amor que move as rimas
é aquele que nos ronda as sinas
e nos faz amar sem saber
quando as rugas tomarem o rosto
e a velhice se encarregar do resto
quero saber onde todos buscarão amor
encontrar na arte
é se arriscar na sorte
amar assim é corte
solidão em trilha de aplausos
por entre elogios perdidos
eis aqui um salva vidas
que flutua no transalmático
do egoísmo
quando a maré levar
o vai e vem da puberdade
e as ondas de desamor não tiverem pés
o socorro existe
existe amor
pelo menos enquanto
existir a dor de doer
presente na insanidade
do marinheiro-poeta
que se encoraja
na sinceridade de um mar
chamado amor.